sábado, 9 de agosto de 2014

INFÂNCIA     

O  lugar era diferente
Existiam flores e das árvores
Caíam as folhas
No lugar não existia muita gente
Tudo era silencioso,
Eu sentada fazia bolhas.

Eram inúmeras bolhinhas de sabão,
Coloridas, grandes, pequenas
Que pelo ar no meu sonho se vão
Como o sol, indo ao encontro do céu,
Brilham apenas.

Eu as fazia,
Sentada na relva macia!
Ficava longos momentos a observá-las,
Até que... puf...
Era uma pequenina borboleta
Que passava e não as via.
E assim brincavam no ar,
E eu na relva ouvia,
Enfim o puf...

Eram meus sonhos da infância
Que ora veja além,
Somente na lembrança.
Quando vejo uma borboleta, lembro da bolhinha que se ia,
O sol, o ar, o céu, de tudo resta uma esperança,
De em sonho voltar a ser criança.







SEU MACHISMO DESABRIDO    
MILTON MACIEL                     

Você, com seu machismo pervertido, vil e pabuloso(*),
que lhe garante a posse, o uso, o escárnio, o gozo,

como um cometa mau, vai deixar, em sua vida,um longo rastro de crianças e mulheres ressentidas.

Nas faces delas, esgares de medo, de desprezo, nojo
Crescerão a retribuir-lhe o mal, com destemor e arrojo.

E garantirão, nos futuros dias seus, que se desandam,
a solidão sem cobro dos que só possuem. E mandam.

(*) fanfarrão, orgulhoso)
A MÉTRICA DO DESESPERO 
MILTON MACIEL

A métrica do desespero enche a noite vazia...

Fria
penetra-a, com seus versos de pé quebrado.

Fado
 e enfado, dura sina, vaticínio e danação,

Vão
gemido, desprovido de sentido, vazio ai.

Vai
no escuro, olho duro, congelante, de medusa.

Musa
lesa da tristeza, destroçando o frio espaço

Aço
frio de suas garras nos rasgando o coração.

Tão
temível pelo nível da angústia que provoca

Toca,
fere, gela, rompe, aniquila e desfigura.

Dura,
tétrica, torpe métrica, desespero tão cruel

Fel
amargo, tardio fardo, lasso passo, desalento,

Lento
avanço, que enche e assola a noite fria.

E a esvazia. (MM)

Miami, Fev 07 
MILTON MACIEL